O tabuleiro político de 2026 em Sergipe está longe de qualquer configuração definitiva. Ao contrário de ciclos eleitorais anteriores, o que se desenha neste momento é um cenário de instabilidade estratégica, onde alianças anunciadas convivem com ruídos internos e decisões judiciais mantêm o ambiente sob permanente tensão.
No campo governista, liderado pelo governador Fábio Mitidieri, a antecipação da chapa majoritária, ainda antes do encerramento de 2025, parecia transmitir segurança e coesão. Contudo, a consolidação prática desse arranjo está longe de ser pacífica. Os dois nomes anunciados para o Senado — Alessandro Vieira e André Moura — representam perfis políticos distintos, com trajetórias, bases eleitorais e estilos de atuação que não necessariamente convergem.
A divergência não é apenas programática, ela é também simbólica. Declarações recentes do senador Alessandro Vieira evidenciam desconfortos que encontram eco na família e nos aliados de André Moura, criando um ambiente de desconfiança mútua. Em política, alianças precisam de mais do que anúncio formal: exigem convergência narrativa e pragmatismo eleitoral. Sem isso, o risco é a fragmentação silenciosa da base, afetando o engajamento e a mobilização.
Do lado da oposição, o nome mais competitivo até aqui é o do prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho. Sua elegibilidade, restabelecida por decisão liminar, recolocou-o no centro do debate estadual. No entanto, a estabilidade jurídica dessa condição ainda é alvo de questionamentos. Há recursos interpostos, inclusive pelo Ministério Público de Sergipe, sob alegação de indução do ministro ao erro na concessão da liminar.
Esse elemento jurídico introduz uma variável de alto risco na equação eleitoral. Candidaturas majoritárias exigem previsibilidade mínima. Quando há incerteza quanto à elegibilidade, aliados hesitam, partidos calculam e investidores políticos aguardam definições antes de apostar fichas definitivas.
O resultado é um cenário aberto. Diferentemente de disputas em que o favoritismo se estabelece com antecedência. Movimentos de bastidores, recomposições, possíveis rompimentos e até substituições de nomes na majoritária não podem ser descartados.
A eleição que se avizinha não está decidida, nem mesmo desenhada. O que há, por ora, é uma disputa em construção, onde o tempo, a Justiça e a capacidade de articulação política serão fatores determinantes. Em Sergipe, 2026 ainda é uma página em branco, sujeita a reescritas constantes até o momento final das convenções.