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COLUNA
Ricardo Marques: por trás dos gritos sobra o umbigo
Por Ferreira Filho
Publicado em 29/01/2026 05:51
COLUNA

O vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, resolveu elevar o tom e ocupar espaço no debate público para tentar justificar sua iminente migração para o grupo político do governador Fábio Mitidieri, adesão que deve ser oficializada nos próximos dias. O discurso adotado por Ricardo, no entanto, soa mais como um esforço de autopreservação do que como um movimento político coerente com a realidade dos fatos.

 

Ao tentar se apresentar como vítima das circunstâncias, o vice-prefeito busca sensibilizar a opinião pública com uma narrativa de isolamento e incompreensão. Nos bastidores, porém, o cenário descrito por aliados, inclusive alguns que caminharam com ele até aqui, é bem diferente. A avaliação recorrente é de que Ricardo não assimilou corretamente o crescimento e a consolidação do grupo político que conquistou um dos principais espaços eleitorais do estado: a Prefeitura de Aracaju.

 

Mais do que isso, pesa contra ele a percepção de um comportamento marcado pelo personalismo. Uma peça importante do entorno da prefeita Emília Corrêa confidenciou que o grande incômodo de Ricardo sempre foi o fato de a liderança natural do agrupamento caber à prefeita. Para ele, assumir protagonismo na gestão da capital não seria apenas uma questão administrativa, mas um degrau estratégico para atender a um projeto pessoal bem definido: chegar à Câmara Federal.

 

Agora, o discurso muda. Ricardo passa a acenar com uma pré-candidatura a deputado estadual, já sob a possível tutela do grupo liderado por Fábio Mitidieri. Para analistas políticos, trata-se de uma movimentação precoce e arriscada, que tende a gerar um desgaste significativo. Antecipar o jogo, sem base eleitoral consolidada e em meio a uma ruptura ruidosa, costuma cobrar um preço alto, algo que só o tempo revelará com clareza.

 

 

Do ponto de vista do governador, a adesão de Ricardo tem peso limitado. Ele entra mais como personagem de um processo de rompimento do que como figura capaz de alterar o eixo político da capital. A gestão de Emília Corrêa, ao contrário do que alguns imaginam, não sofre qualquer sombra com esse movimento. A prefeita é, goste-se ou não, a protagonista da administração municipal, legitimada pelo voto popular dos aracajuanos.

 

No fim das contas, por trás dos gritos e das justificativas públicas, o que parece sobrar é o umbigo. E, em política, quando o projeto pessoal se sobrepõe ao coletivo, o eleitor costuma perceber, e cobrar.

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