As primeiras pesquisas nacionais após o primeiro turno colocam Flávio Bolsonaro à frente em vários cenários. No Datafolha, divulgado em 8 de outubro, ele aparece com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. A Atlas/Bloomberg, divulgada no dia seguinte, registra 52,8% para Flávio e 47,2% para o presidente. Já a Vox Brasil aponta Lula numericamente à frente, por 44,2% a 42,7%, mas dentro da margem de erro do levantamento.
Os números indicam uma vantagem momentânea para Flávio em parte expressiva das pesquisas, coerente com sua colocação à frente de Lula no primeiro turno. Mas há uma diferença importante entre reconhecer essa vantagem e anunciar um resultado antecipado. O segundo turno será decidido nas urnas, e os levantamentos medem a intenção dos eleitores no período em que foram realizadas as entrevistas.
Também é preciso observar que nem todos os percentuais usam a mesma base. Datafolha e Atlas divulgaram tanto votos totais quanto votos válidos. A Vox apresentou os percentuais do cenário estimulado, incluindo eleitores que ainda não definiram uma opção e votos brancos ou nulos. Comparar diretamente esses números, sem considerar a metodologia e a margem de erro, pode produzir uma leitura distorcida da disputa.
Um dado que merece atenção é a movimentação dos eleitores cujos candidatos ficaram fora do segundo turno. No Datafolha, 46% desse grupo disseram que pretendem votar em Flávio; 32% indicaram Lula e 15% afirmaram que escolherão branco ou nulo. É um sinal favorável ao candidato do PL, mas a transferência não é automática: o eleitor pode acolher a recomendação de uma liderança, rejeitá-la ou decidir de forma independente.
A leitura política, portanto, é de uma disputa que começa com Flávio em posição numericamente vantajosa em levantamentos relevantes, enquanto Lula busca recuperar terreno. A campanha terá de convencer eleitores que ainda não estão plenamente definidos e, sobretudo, transformar intenção declarada em comparecimento às urnas.
Pesquisas ajudam a acompanhar o movimento da eleição. Não substituem o voto nem eliminam as incertezas de uma campanha em andamento. Até o dia 25 de outubro, novos fatos, propostas, alianças e desempenhos dos candidatos ainda podem influenciar o eleitorado. No momento, há uma vantagem a ser observada, e uma disputa que permanece em aberto.